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domingo, 4 de janeiro de 2026

SLENDERMAN

“ Com seus braços estendidos, suas vítimas ficam hipnotizadas e ficam totalmente impotentes. Ele também pode esticar seus dedos criando tentáculos. Ele nunca deixa rastro de suas vítimas. Não se sabe a origem dele. Ele gosta de raptar crianças, sempre é visto antes do desaparecimento de uma ou várias crianças. Gosta de lugares com névoas ou muitas árvores onde ele pode se esconder. Dizem que as crianças podem ver ele, se não tiver adultos no local. Parece uma lenda, mas muitas pessoas afirmam já terem visto o Homem Esguio. Os avistamentos normalmente acontecem a noite, perto de rios ou florestas. Tem relatos também dele ter entrado em quartos de crianças a noite, com janelas abertas. São comuns no Japão e na Noruega, mas vem crescendo os avistamentos em outros lugares do mundo... Ainda não acredita? Apareceram imagens deles em fotos tiradas de crianças desaparecidas no dia em que elas sumiram...”





(O EXPERIMENTO 84-B)

Muitos dizem que eu sou mau, mas não sou! Dizem que sou louco… mas também não sou! Eu sou solitário. Caminho sozinho, sem ninguém para me confortar, sem ninguém para me amar.

Eu costumava ser normal, como você. O mais irônico é que eu sempre odiei fazer parte da multidão “normal”. Você deveria valorizar o que tem. Deveria rezar para nunca sentir o que eu sinto: ódio, depressão, abandono, traição… Vocês têm uma vida. Têm esperança. Eu perdi tudo isso por causa de um verdadeiro lunático. Ele é o único verdadeiramente mau aqui. Não eu!

Ele roubou minha vida. Minha esperança. Tudo! Deixou-me apodrecer depois daquela maldita experiência! Ele me acolheu de braços abertos, prometendo uma nova vida — melhor do que a que eu levava. Mas era tudo mentira. Ele arrancou tudo de mim… e eu ainda me lembro daquele dia como se fosse ontem. Eu era um garoto forte, recém-formado no ensino médio. O sol brilhava, mas eu o odiava. Sentia que todos me olhavam e me julgavam. E estavam… oh, como estavam!

Minha viagem para casa naquele último dia de aula foi um inferno. As crianças que andavam entre os carros gritavam e me xingavam com coisas como: “Fedorento!” e “Quando vai tomar banho?”. Eu precisava fazer algo. Ou será que precisava? Um pensamento me ocorreu: essas crianças estão me matando aos poucos… por que não tornar isso rápido e indolor? Eu estava cego pela dor. Se eu soubesse o que sei hoje, jamais teria pegado aquela corda no porão. Mas… onde fazer isso? Não em casa. Eu odiava minha mãe, mas não a ponto de traumatizá-la dessa forma. Então escolhi um beco, nos arredores da cidade. Já amarrava a maldita corda em um dos postes quando ouvi alguém me chamar. Olhei na direção da voz e vi um homem de meia-idade.

— Jovem, o que você está fazendo? — perguntou, com os braços para trás.
— Acabando com tudo! — respondi, voltando a amarrar a corda.
— Você está louco? Venha comigo. Acredito que posso ajudá-lo — disse, segurando meu braço.
— Me ajudar? Está fora da casinha, velho. Agora me deixe morrer em paz!
— Infelizmente, não posso permitir isso.

Ele começou a me puxar com força. Tentei me soltar, mas, a cada vez que lutava, ele apertava mais. Rapidamente, me arrastou para dentro de um galpão no beco e trancou a porta atrás de nós.

— Meu jovem, eu sei como você está se sentindo. Apenas me ouça.
— Maldito seja… tudo bem. Mas seja rápido!
— Ótimo. A vida é uma dádiva. Mas e se eu lhe dissesse que posso lhe dar uma nova vida… de graça?
— U-uma nova vida? Onde diabos eu assino?
— Excelente. Estive estudando a anatomia humana. Após muitas experiências, acredito ter dominado a manipulação da forma corporal. Posso transformá-lo em algo novo. Mas, naturalmente, há… condições.
— Como o quê? — perguntei, cruzando os braços. Ele então puxou um papel do bolso.
— Primeiro, assine aqui.
— E se eu não quiser?
— Então entramos na segunda condição… você não tem escolha.
— O quê??
— Você me ouviu — disse, sacando uma seringa com um líquido verde.
— Agora, fique quieto!

Tentei correr, tentei gritar, mas ele me agarrou. Enfiou a agulha no meu pescoço, e tudo escureceu. Acordei em uma câmara de vidro. Estava usando um terno, por algum motivo. Segundos depois, ele entrou na sala usando um jaleco.

— Olá, meu amigo! Teve um bom cochilo?
— Onde diabos estou?
— Isso não importa. Só precisa se sentar e me deixar trabalhar.
— Me deixe sair, seu psicopata! Eu vou te matar!
— Não tenho medo, meu caro. Você vai ficar quieto enquanto eu faço história!
— História? — perguntei, me debatendo.
— Sim, quando eu realizar com sucesso a primeira transformação corporal completa em um ser humano.
— Você não pode!
— Ah, mas eu posso.

Ele acionou um botão e falou ao microfone:

— Teste, teste. Iniciando experimento 84-B!
— O que está fazendo??
— Sinais vitais normais. Frequência cardíaca elevada. Atividade cerebral intensa. Níveis de insulina estáveis…
— D-deixe-me ir!
— Preparando para o início da transformação. Ativando nó um.

Um raio atravessou meu corpo. Não consegui gritar. Minha visão ficou turva e, de repente, escureceu por completo.

— Aparência do sujeito começando a mudar. Ativando nó dois.

A dor aumentou. Senti minha boca se fundindo, meus olhos se fechando.

— Rosto completamente transformado. Ativando nó—

Uma sirene soou.

— ERRO! ERRO! Fusão fora de controle!
— Não! As feições e os membros ainda não estão completamente formados! Preciso salvar o experimento!

A última coisa de que me lembro foi um estrondo.

Acordei entre escombros. Mal conseguia ver — parecia que uma película cobria meus olhos. Minha boca parecia costurada. Meu nariz, fechado. Mas, de alguma forma… eu não precisava mais respirar.

Levantei-me. Meus braços e pernas estavam estranhos. Levei quase um minuto para conseguir me mover. Caminhei entre os destroços. Um computador quebrado estava ao lado de um pé decepado. Um rastro de sangue me levou até um corredor… e então até uma porta. Atrás dela, grunhidos.

Abri a porta. Um policial, coberto por placas de concreto, lutava para sair. Quando me viu, gritou e correu. Tentei gritar para que parasse, mas não consegui emitir som algum. Então… eu o persegui.

Enquanto corria, sentia minhas pernas se alongarem, como se crescessem. Alcancei o policial, toquei seu ombro… e, do meu braço, disparou um tentáculo, perfurando seu peito. Ele praguejou e caiu.

O que está acontecendo comigo? — pensei.

Havia um buraco em seu peito. Nada mais a ser feito. Continuei seguindo o rastro de sangue… até encontrá-lo. O homem. Esmagado sob uma viga caída. Levantei seu corpo sem dificuldade — sem perceber a força sobre-humana que aquilo exigia. Com raiva, joguei-o contra a parede, sendo banhado por uma chuva de sangue. Tentei fugir do prédio, mas sempre acabava em becos sem saída. Continuei explorando até encontrar um banheiro. Eu precisava tirar aquele sangue das mãos.

Entrei. Olhei-me no espelho.

E percebi uma coisa.

Eu não tinha rosto.

Agora sou chamado de monstro. Habito os pesadelos de adolescentes e adultos. Tudo por culpa daquele maldito. Depois disso, descobri meus “dons”. Posso esticar meus membros além dos limites humanos… posso gerar tentáculos pelas costas. Mas, no fim… tudo o que eu queria era um amigo.

Por isso, procuro pessoas. Crianças. Elas não me olham com medo. Costumo brincar com elas. Mas, às vezes… não consigo controlar meu corpo. E alguém morre. Mas não é culpa minha. Só quero companhia. Esse é meu fardo. E irei carregá-lo pela eternidade.

Gosto de fotos. Gosto de me esconder nelas. Há sempre alguém fotografando em florestas — então é onde vivo. Faço algo que hoje chamam de “photobomb”. Mas, quando se abaixam para ver a foto… elas correm. E uma coisa leva à outra… e outra pessoa morre em minhas mãos. Eu juro: nunca pretendo causar mal real. Mas perdi meu senso de… de tudo. Já não sei como ser uma pessoa. Nada parece dar certo. Sempre acaba com alguém morto. Então só lhe peço uma coisa: quando me vir… não fuja. Corra para mim. Me receba. Isso pode salvar sua vida.

Mas… como saber se sou eu? Tenho certeza de que você já ouviu falar de mim. E, se não ouviu, basta procurar. Abra o Google e digite:

“SLENDER MAN.”








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