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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

THE RAKE

 

 


     Durante o verão de 2003, uma série de eventos estranhos ocorridos no nordeste dos Estados Unidos envolvendo uma criatura humanoide desconhecida começou a aparecer na mídia local, pouco antes de um grande apagão atingir a região. Poucas informações permaneceram intactas, e grande parte do material sobre a criatura foi misteriosamente apagado da internet.

Os primeiros relatos surgiram em áreas rurais do estado de Nova York. Testemunhas autoproclamadas compartilharam suas experiências com a criatura de origem incerta. Algumas estavam terrivelmente amedrontadas; outras demonstravam uma curiosidade infantil sobre o fenômeno. Seus depoimentos, no entanto, não estão mais disponíveis. Mesmo assim, muitos dos envolvidos continuam buscando respostas sobre o ser que ficou conhecido como o Rake e os acontecimentos daquele ano.


Relatos Históricos

Em 2006, ao final de uma investigação independente, foram encontrados quase duas dezenas de documentos datados desde o século XII até os dias atuais, espalhados por quatro continentes. Curiosamente, a maioria dos relatos descrevia experiências muito semelhantes. Estive em contato com um dos investigadores e consegui obter partes do livro que ele pretende publicar em breve.


Nota de Suicídio — 1964

"Enquanto me preparo para tirar minha própria vida, sinto que é necessário escrever para aliviar a dor e a culpa que carrego.
Não é culpa de ninguém além dele. Assim que acordei, senti sua presença.
E assim que acordei, vi sua forma.
Uma vez mais, ao despertar, ouvi sua voz e encarei seus olhos.
Não posso dormir sem temer a próxima experiência que terei ao acordar.
Eu não posso mais acordar.
Adeus."

Na cena, foi encontrada uma pequena caixa de madeira contendo dois envelopes vazios endereçados a William e Rose, além de uma carta pessoal sem envelope:

"Querida Linnie,
Tenho rezado por você.
Ele falou seu nome."


Trecho de jornal (traduzido do espanhol) — 1880

"Eu experimentei o maior TERROR. Eu experimentei o maior TERROR. Eu experimentei o maior TERROR.
Vejo seus olhos quando fecho os meus.
Eles são vazios. Negros. Eles me viram.
Sua mão molhada.
Eu não vou dormir. Sua voz... (parte ilegível)"


Diário do Capitão — 1691

"Ele veio a mim durante meu sono.
Do pé da cama, eu senti sua presença.
Precisamos retornar à Inglaterra.
Não devemos mais voltar aqui, a pedido do Rake."


Depoimento de uma Testemunha — 2006

“Três anos atrás, no feriado de 4 de julho, eu havia retornado com minha família de uma viagem às Cataratas do Niágara. Estávamos todos exaustos após um longo dia dirigindo, então colocamos as crianças diretamente na cama.

Por volta das 4 da manhã, acordei achando que meu marido havia se levantado para ir ao banheiro. Acabei despertando-o no processo. Me desculpei e comentei que pensei que ele não estava na cama. Ao se virar para mim, ele ofegou e puxou os pés para longe da ponta da cama com tanta força que quase me derrubou. Ele me agarrou sem dizer uma palavra.

Quando meus olhos se acostumaram à escuridão, consegui ver o que o assustou tanto. Aos pés da cama, sentado e nos observando, estava o que parecia ser um homem nu... ou talvez um cão de grande porte, completamente sem pelos. Seu corpo estava distorcido de maneira inquietante, como se tivesse sido atropelado. Estranhamente, não senti medo imediato, mas uma estranha pena da criatura.

Meu marido se encolheu em posição fetal, alternando olhares entre mim e aquela coisa.

Em um movimento repentino e desajeitado, a criatura cambaleou em volta da cama até ficar a poucos centímetros do meu marido. Ficou ali, imóvel, por longos segundos — talvez apenas cinco, mas pareceram trinta — em completo silêncio. Então, colocou a mão sobre o joelho dele e disparou em direção ao corredor. Correu direto para o quarto das crianças.

Gritei e corri para o interruptor, determinada a impedi-lo de machucar meus filhos. No corredor, com a luz fraca do quarto acesa, consegui vê-lo a cerca de seis metros de distância. Ele se virou e me encarou, coberto de sangue. Acendi a luz do corredor e vi minha filha Clara presa em suas garras.

A criatura descia as escadas quando eu e meu marido corremos desesperadamente atrás. Ao perceber que não conseguiria fugir carregando o peso dela, ele a largou e desapareceu. Ela estava gravemente ferida, mas ainda viva. Antes de perder a consciência, disse apenas uma frase:

Ele é o Rake.

Meu marido morreu afogado no lago ao tentar levá-la ao hospital.

Por se tratar de uma cidade pequena, a notícia se espalhou rapidamente. A polícia foi prestativa no início, e até o jornal local demonstrou interesse. No entanto, a matéria nunca foi publicada, e nenhuma emissora de televisão cobriu o caso.

Durante meses, meu filho Justin e eu ficamos hospedados em um hotel próximo à casa dos meus pais. Quando finalmente decidimos voltar para casa, comecei a buscar respostas por conta própria. Acabei conhecendo um homem da cidade vizinha com uma história muito parecida. Mantivemos contato e passamos a compartilhar nossas experiências. Ele conhecia outras duas pessoas, em Nova York, que também haviam visto a criatura.

Levamos dois anos pesquisando em fóruns e arquivos online. Conseguimos reunir apenas pequenos fragmentos sobre o Rake. As fontes eram vagas e, muitas vezes, inconclusivas. Um jornal chegou a publicar um artigo de três páginas sobre o caso, mas nunca mais tocou no assunto. Um diário de bordo mencionava apenas que o Rake ordenou que se retirassem — e esse foi o último registro do diário.

Descobrimos que o Rake costuma visitar suas vítimas mais de uma vez. Ele se comunica com elas — incluindo minha filha. Isso nos fez pensar: e se ele já tivesse voltado para nós, e não notamos?

Instalei um gravador ao lado da minha cama e passei a registrar todos os sons durante o sono, por duas semanas. Todos os dias, ao acordar, escutava as gravações: o ranger do colchão, meus movimentos, a respiração. Logo me acostumei com aqueles sons... até a última noite.

Na última gravação, por volta da 1h da manhã, ouvi algo diferente. Era como os sons normais, só que oito vezes mais rápidos.

Na terceira semana, finalmente ouvi uma coisa nova. Uma voz aguda e distorcida...
Era o Rake.

Não consigo ouvir por muito tempo — ainda não tive coragem de deixar ninguém escutar. Mas reconheço a voz. É a mesma que ouvi, mesmo sem lembrar, ao lado da cama naquela noite. Ela me leva direto de volta àquele momento.

Pensar no que minha filha viu antes de morrer me atormenta.

Desde então, não vi mais o Rake. Mas eu sei — sei que ele ainda está aqui.

No escuro. No meu quarto.

Enquanto eu durmo.

E temo que, um dia... eu acorde, e ele esteja me observando.”




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